Nesta prática, o grupo acompanhará o percurso completo de uma amostra vegetal: seleção em campo, registro, coleta, prensagem, secagem, preparação, identificação e montagem da exsicata. Parte do material coletado será separada no mesmo momento para a etapa posterior de histologia.
Objetivos #
- realizar coleta botânica com registro adequado da origem da amostra;
- reconhecer características morfológicas úteis para identificação;
- compreender o princípio da herborização;
- produzir exsicatas organizadas, estáveis e devidamente etiquetadas;
- relacionar a morfologia externa da planta com os tecidos e órgãos estudados nos seminários;
- separar amostras representativas para o processamento histológico posterior.
Etapa 1 — Coleta e registro #
- Selecionar plantas saudáveis e representativas, preferencialmente com estruturas que favoreçam a identificação, como folhas e, quando disponíveis, flores ou frutos.
- Registrar local, data, coletor, hábito da planta, condições do ambiente e outras características que podem se perder após a secagem, como cor, presença de látex, odor ou textura.
- Identificar cada amostra com um número ou código que permaneça associado ao registro de campo.
- Fotografar a planta no ambiente e detalhes relevantes antes da retirada do material.
- Coletar apenas a quantidade necessária e evitar retirada desnecessária de indivíduos, especialmente quando houver dúvida sobre raridade ou proteção da espécie.
A coleta alimenta duas rotas #
Ao chegar ao laboratório, ou ainda no momento da coleta quando o protocolo exigir, o material será dividido:
- Rota A — Exsicata: ramos e estruturas destinadas à prensagem, secagem e montagem.
- Rota B — Histologia: pequenos fragmentos de órgãos escolhidos para fixação e posterior produção de lâminas permanentes.
Etapa 2 — Prensagem e secagem #
As amostras destinadas à exsicata serão organizadas entre folhas de jornal ou papel absorvente e papelão ondulado. O material deve ficar bem distribuído, evitando sobreposição excessiva de folhas e posicionando estruturas importantes de modo que possam ser observadas depois da secagem.
- folhas devem ser distribuídas de modo que, quando possível, seja possível visualizar faces adaxial e abaxial;
- flores e frutos devem ser preservados sempre que estiverem presentes;
- ramos muito volumosos podem exigir ajustes antes da prensagem;
- a prensa deve exercer pressão uniforme;
- papéis úmidos devem ser substituídos quando necessário para reduzir risco de fungos e decomposição;
- a secagem deve ser acompanhada até que o material esteja completamente desidratado.
Etapa 3 — Beneficiamento e preparação #
Depois de seca, cada amostra será revisada. O grupo deverá remover excesso de material solto, organizar estruturas, separar eventuais fragmentos úteis e preparar a montagem sobre a folha definitiva. O objetivo não é “embelezar” a planta, mas conservar uma representação biologicamente útil e legível do espécime.
Etapa 4 — Identificação e ficha catalográfica #
A identificação taxonômica será realizada até o nível possível com as informações e materiais disponíveis. A ficha da exsicata deverá reunir, no mínimo, nome popular quando conhecido, nome científico quando identificado, família botânica quando possível, local e data de coleta, coletor, número da amostra e observações morfológicas ou ambientais relevantes.
Etapa 5 — Montagem e entrega #
A amostra seca será fixada adequadamente na folha de montagem, acompanhada de sua ficha catalográfica. A quantidade de exsicatas exigida por grupo será confirmada na aula de contextualização, priorizando qualidade técnica e identificação correta em vez de produção excessiva de material.
Critérios de qualidade #
- material completamente seco e sem sinais de deterioração;
- boa disposição das estruturas vegetais;
- integridade suficiente para observação morfológica;
- coerência entre amostra, código de campo e ficha;
- informações de coleta completas;
- identificação apresentada com o nível de certeza adequado;
- montagem limpa, estável e tecnicamente organizada.
Materiais complementares recomendados #
Embrapa Florestas — Manual de prática de coleta e herborização de material botânico. Referência técnica aberta e diretamente relacionada à coleta, identificação e herborização.
Herbário SPF — Instituto de Biociências da USP. Página curta e muito útil para compreender o que é um herbário, o que é uma exsicata e por que o preparo adequado do espécime importa.
UFPR — Manual didático para herborização e montagem de exsicatas. Material didático recente, com roteiro específico para montagem de exsicatas.